Thursday, September 30, 2010

Biografia de Dilma Rousseff: uma mentira leva à outra

O site oficial da pré-candidata Dilma Rousseff comete um erro que passou a ocupar espaço na imprensa, como acontece na coluna de hoje de Josias de Souza, na UOL. Um erro semelhante à biografia da ex-ministra que a apresentava com cursos de pós-graduação que nunca fizera. O de agora a mentira aparece em forma de imagem. No site aparecem três fotos: a de Dilma quando criança a de “Dilma” numa passeata provavelmente em 1968, tendo atrás um cartaz contra a censura e, a última, uma foto recente. Pois bem. Descobriu-se que a foto da passeata não é dela, e sim da atriz Norma Bengell, que aparece (quando a foto é revelada em corpo inteiro) de mãos dadas às atrizes Tonia Carreiro, Eva Vilma, Odete Lara, (Norma Bengell) e Ruth Escobar. O que ganha a candidata petista com tanta topada que tem dado, ela e sua equipe?

(Samuel Celestino)

MENTIRA:

“Fotos do blog fazem referência a esse momento em que os brasileiros foram às ruas pedir o fim da ditadura. Dilma participou de todas essas lutas.” (Nota de no site da ex-ministra Dilma Rousseff, sobre a fotomontagem abaixo, 25/04/10.)

A VERDADE:

Para tentar justificar a fraude biográfica da presença da atriz Norma Bengell no lugar de Dilma Rousseff em uma foto da passeata dos 100 mil, o site oficial de Dilma mente outra vez. Não existem outras fotos de Dilma Rousseff indo às ruas lutar pela liberdade no final dos anos 60, simplesmente porque na época ela integrava um grupo de guerrilha armada e vivia na clandestinidade.


A atriz Norma Bengell, na “passeata dos 100 mil”, em 1968.

O pagamento da “dívida” com o FMI é uma farsa




Curtindo a ressaca de um ano de crescimento econômico pífio, nesta semana, em cerimônia oficial, o governo federal formalizou o pagamento antecipado de US$ 15,5 bilhões ao FMI.

Enquanto o Ministro da Fazenda fez apologia da atual política econômica, afirmando que "Temos que dar ao processo de consolidação fiscal uma perspectiva de longo prazo", Rodrigo Rato, do FMI, não poupou elogios à condução “exemplar” da política econômica brasileira, mas alertou que “não se pode relaxar a política fiscal após colher os primeiros frutos”. A similaridade dos discursos impressiona.

E Lula, participando dessa macabra encenação com um de seus famosos “improvisos”, discursando em dezembro passado para uma platéia de militares anunciou, “ao mundo e ao mercado” que “este país tem governo, que este país é dono do seu nariz”. E ainda que "Não fizemos nenhum barulho, rompemos o acordo com o FMI porque não precisávamos mais do FMI. E (...) tomamos a decisão de devolver um dinheiro sobre o qual estávamos pagando juros, que custava mais caro para nós do que o juro que a gente recebia dos nossos depósitos, das nossas reservas no exterior." Segundo Lula, “O Brasil, hoje, está consolidado com as suas reservas internacionais, está numa situação privilegiada de reservas". O melhor dos mundos possíveis...

O pagamento antecipado de US$ 15,5 bilhões da dívida externa do Brasil ao FMI é certamente mais um motivo de “orgulho” para o governo Lula, a somar-se com a maior taxa de juros real do mundo, com o superávit primário recorde de 4,97% do PIB e superávit comercial de US$ 44 bilhões da balança comercial em 2005. Todos estes números são, de fato, expressões exatamente do contrário da pretensa soberania que o presidente quer fazer alarde. São expressões do aprofundamento da dominação imperialista sobre o Brasil, do processo de recolonização do Brasil, que vai se transformando em uma colônia de novo tipo.

O pagamento antecipado ao FMI não foi um “privilégio” do governo brasileiro, uma vez que 48 horas após Lula anunciar o “grande feito”, o presidente argentino, Nestor Kirchner, em cerimônia com tema "surpresa" convocada às pressas, anunciou o pagamento, também antecipado de US$ 9,8 bilhões ao FMI. Kirchner afirmou ainda que seu governo está "(...) sepultando um ignominioso passado de um endividamento eterno e infinito." Conjunção astral favorável? Coincidência histórica?

Portanto, mesmo que do ponto de vista de suas economias a Argentina e o Brasil estejam em momentos diferentes, é impossível acreditar, com um mínimo de informação, que os pagamentos antecipados ao FMI tenham sido, nos dois países, medidas que afirmem a soberania frente ao imperialismo. Ao contrário, os dois países faziam parte da lista dos maiores devedores do Fundo, junto com Turquia e Rússia. Coincidência ou não, recentemente a Rússia também “quitou” sua dívida junto ao FMI...

Como afirma, em interessante artigo sobre o assunto, o professor de economia argentino Julio C. Gambina, “(...) o propósito dos credores não era cobrar e sim condicionar a políticas dos nossos países”. Ao analisar as razões dos pagamentos antecipados, ele afirma que “Será melhor pensar que o FMI queria baixar a exposição financeira com esses grandes devedores (...).”

Com a intenção de contribuir para o debate sobre esse emaranhado de “coincidências”, reproduzimos artigo de Maria Lucia Fattorelli Carneiro, que denuncia a manobra realizada pelo governo Lula: cancelar uma dívida “barata” com o FMI e “reformar” a dívida brasileira com a emissão de títulos que pagam juros muito mais altos!

Ou seja, bravatas à parte, o governo Lula segue firme no seu projeto de aprofundar as políticas do FMI, Banco Mundial, e das classes dominantes brasileiras, e implementa, de forma servil, medidas que só fazem aumentar a exploração dos trabalhadores brasileiros e a já formidável remuneração do capital financeiro. A demagogia eleitoreira de Lula mascara o que poderia ser feito com esses recursos: mais investimentos em saúde, educação, saneamento, moradia popular, reforma agrária, infra-estrutura. Recursos que só poderiam ser canalizados para atender os interesses populares com uma outra política econômica e social, que significasse o rompimento com a dominação imperialista.

Poucos dias após o surpreendente anúncio de pagamento antecipado de US$ 15,5 bilhões ao FMI, cujos pagamentos seriam devidos somente nos dois anos seguintes, ou seja, até 2007, nos deparamos com a manchete do jornal Gazeta Mercantil, na última quarta-feira, dia 28 de dezembro de 2005: “ O governo acelera as captações no exterior ”.

A referida matéria tratava do lançamento antecipado, em 2005, de US$ 3,5 bilhões em títulos da dívida externa brasileira que só estavam previstos para 2006 e justificava: “a estratégia do Tesouro Nacional de antecipar as captações externas previstas para o período de 2006/2007, iniciada em setembro de 2005, pode ser acelerada no primeiro semestre de 2006. A vantagem seria fugir da proximidade das eleições presidenciais, que pode encarecer os financiamentos e driblar uma eventual redução da liquidez internacional ...” Em 2005 foram feitas emissões soberanas de títulos da dívida brasileira no exterior no montante de US$ 8 bilhões, consideradas um grande “sucesso”, prevendo-se a continuidade do interesse dos investidores estrangeiros em 2006.

Buscando compreender a razão desses dois movimentos contraditórios - pagamento antecipado de uma dívida ao mesmo tempo em que se antecipa a emissão de títulos e se aumenta o endividamento - pesquisamos notícias de jornais e as páginas na internet da Secretaria do Tesouro Nacional e do Banco Central do Brasil, onde obtivemos as informações que comentamos a seguir:

• Ao todo, em 2005 foram feitas emissões soberanas de títulos da dívida brasileira no exterior no montante de US$ 8 bilhões, além da troca de C-Bond por A-Bond no valor de US$ 4,4 bilhões. Porém, até o momento não estão disponíveis, nos sítios oficiais, as informações sobre as emissões antecipadas para 2005 no montante de US 3,5 bilhões. O quadro abaixo, retirado do sítio do Tesouro Nacional, detalha apenas as operações de emissão dos US$ 4,5 bilhões originalmente programados para 2005:


• As emissões antecipadas de títulos da dívida externa brasileira no montante de US$ 3,5 bilhões (previstos inicialmente para serem emitidos apenas em 2006) se deram a taxas de juros que variaram de 8% a 12,75% ao ano, conforme se depreende a partir da reportagem do jornal Gazeta Mercantil, citada. Destaca-se a emissão de 19 de setembro de 2005, quando o Brasil emitiu títulos denominados em reais no montante de US$ 1,5 bilhão, oferecendo rendimento de 12,75% ao ano. Como o real se desvalorizou apenas 2,4% frente ao dólar de 19/09/2005 a 03/01/2006, foi garantido até o momento, ao investidor estrangeiro, um rendimento de cerca de 10% ao ano, em dólares.

• Durante o ano de 2005, o Tesouro Nacional efetuou inúmeros leilões de títulos da “dívida interna”. A taxa Selic, que define os juros incidentes sobre a maior parte destes títulos, apresentou média de 19,13% em 2005. Descontando-se a taxa de inflação medida pelo IPCA, de cerca de 6% em 2005, obtém-se que os juros reais pagos superaram os 13% ao ano! Esta taxa é a maior do mundo, e equivale a mais que o dobro da taxa praticada pelo México (6,1%), o segundo colocado. É preciso ainda ressaltar que, como o Real se valorizou 13,4% frente ao dólar em 2005, os títulos da dívida interna garantiram um rendimento de nada menos que 35% ao ano para os investidores estrangeiros!

A partir destas informações, constata-se que as condições das emissões de títulos da dívida brasileira - tanto interna quanto externa - foram altamente onerosas para o país. Não houve o acompanhamento criterioso de tais operações pelo Senado Federal, como prevê o artigo 52, inciso V, da Constituição Federal, pois todas estas emissões de títulos foram previamente autorizadas pelo Senado Federal desde 16 de novembro de 2004 , quando, por meio da Resolução nº 20, permitiu-se a emissão e colocação de títulos da dívida externa no montante de até US$ 75 bilhões , sem estabelecer qualquer exigência quanto à modalidade dos títulos (nominativos; ao portador; listados ou não em bolsas de valores) ou quanto às demais condições de pagamento (prazos e juros), deixando o poder Executivo à vontade para “negociar”!

Na sequência dessas emissões onerosíssimas para a nação, em dezembro de 2005, o governo Lula ANTECIPOU o pagamento de US$ 15,5 bilhões ao Fundo Monetário Internacional. Comparando-se o cronograma inicial de pagamentos devidos ao FMI com a anunciada economia de US$ 900 milhões, a título de juros, com tal antecipação, verificamos que o custo financeiro da dívida para com o FMI era de cerca de 4% ao ano .

Portanto, na prática, o Brasil ANTECIPOU e ACELEROU o endividamento em títulos da dívida externa ao custo de cerca de 10% ao ano em dólares, aumentou o endividamento “interno” ao custo real de 13% ao ano (sendo que os investidores externos ganharam 35%) e ANTECIPOU o pagamento das dívidas junto ao FMI, cujo custo era de apenas 4% ao ano. Qual é a explicação para movimentos tão contraditórios?

Como justificar antecipação e aceleração “a todo vapor” da emissão de títulos no momento, se o próprio governo diz ser confortável a situação das reservas cambiais e das contas públicas, o que estaria inclusive permitindo a antecipação do pagamento de outras dívidas junto ao FMI, Clube de Paris e até à ONU?

Enfim, por quê o governo Lula aumentou a dívida em títulos, a preços onerosíssimos, acarretando maiores gastos com juros, e antecipou o pagamento ao FMI, que cobrava taxas bem mais baixas? Qual é a lógica desse procedimento, especialmente considerando o sacrifício social imposto à nação, com cortes de gastos sociais e investimentos em saúde, educação, transportes, segurança, etc; aumento contínuo da carga tributária; aumento da Desvinculação das Receitas da União; redução de benefícios previdenciários e arrocho salarial, tudo para se produzir o elevadíssimo superávit primário?

O Governo Lula deve explicações ao povo brasileiro sobre estas operações.

Maria Lucia Fattorelli Carneiro

Saturday, September 18, 2010

O QUE AS INDÚSTRIAS DO CINEMA E DA MÚSICA DEVEM APRENDER COM A MÍDIA IMPRESSA.



Deu no New York Times.


A Era do jornal impresso está chegando ao fim.

Quando a Internet foi criada, foi criada com objetivo de troca de informações.

E é isso exatamente o que a Internet continua fazendo.

A troca de informações.

Vivemos em uma época Histórica.

Algum dia no futuro estudantes de todas as partes do planeta vão aprender sôbre a Revolução Tecnólogica.

Assim como estudamos a Revolução Industrial, eles estudarão a Revolução Tecnólogica.

Aprenderão que houve resistência em aceitar que jornais não seriam mais impressos, que músicas eram trocadas em bittorrents, que a indústria do cinema lutou por vários anos para tentar impedir os downloads de seus filmes, mas no final, todos tiveram que ceder ao progresso, ao futuro.

Voltando agora ao presente, a indústria cinematográfica e musical deveria aprender com a mídia impressa.

Tudo muda.

A adaptação é necessária.

A Era do trilhardários de vida fácil está no fim.

Trabalhar mais duramente é o que está sendo requisitado.

Com o planeta todo interligado, de uma certa forma, isso atrai uma união da população global para exigir o que tem sido negado a população em geral.

O poder.

O poder em manipular os miseráveis consumidores está mudando.

Nós os miseráveis estamos conseguindo nos manifestar e consequentemente mudar o rumo de vários acontecimentos no planeta, que antes era mais difícil.

A Revolução Francesa com a sua Resistência se repete com um novo nome:

A Revolução TecnoDigital.

Vive la Rèvolution!

Que a indústria do cinema e da música aceite e aprenda com a mídia impressa que tudo muda.

O povo não pode ser explorado eternamente em prol de que alguns poucos "escolhidos".

A mídia impressa não está perseguindo ninguém para obrigar as pessoas a continuarem a comprar o seu produto.

Ela simplesmente aceitou que a informação on line é o caminho e está se adaptando. Suas edições on line ficaram mais leves, atraem anunciantes de todos os tipos e consequentemente, o lucro continua vindo de outras fontes.


Wake up and smell the coconuts!!

E que nós, o Povo, conscientemente, devemos manter essa Revolução Silenciosa avançar, nunca retroceder.

by Márcia Gabriel




File:Eugène Delacroix - La liberté guidant le peuple.jpg

Wednesday, September 8, 2010





What America Has Lost





by Fareed Zakaria

Nine years after 9/11, can anyone doubt that Al Qaeda is simply not that deadly a threat? Since that gruesome day in 2001, once governments everywhere began serious countermeasures, Osama bin Laden’s terror network has been unable to launch a single major attack on high-value targets in the United States and Europe. While it has inspired a few much smaller attacks by local jihadis, it has been unable to execute a single one itself. Today, Al Qaeda’s best hope is to find a troubled young man who has been radicalized over the Internet, and teach him to stuff his underwear with explosives.

I do not minimize Al Qaeda’s intentions, which are barbaric. I question its capabilities. In every recent conflict, the United States has been right about the evil intentions of its adversaries but massively exaggerated their strength. In the 1980s, we thought the Soviet Union was expanding its power and influence when it was on the verge of economic and political bankruptcy. In the 1990s, we were certain that Saddam Hussein had a nuclear arsenal. In fact, his factories could barely make soap.

The error this time is more damaging. September 11 was a shock to the American psyche and the American system. As a result, we overreacted. In a crucially importantWashington Post reporting project, “Top Secret America,” Dana Priest and William Arkin spent two years gathering information on how 9/11 has really changed America.

Here are some of the highlights. Since September 11, 2001, the U.S. government has created or reconfigured at least 263 organizations to tackle some aspect of the war on terror. The amount of money spent on intelligence has risen by 250 percent, to $75 billion (and that’s the public number, which is a gross underestimate). That’s more than the rest of the world spends put together. Thirty-three new building complexes have been built for intelligence bureaucracies alone, occupying 17 million square feet—the equivalent of 22 U.S. Capitols or three Pentagons. Five miles southeast of the White House, the largest government site in 50 years is being built—at a cost of $3.4 billion—to house the largest bureaucracy after the Pentagon and the Department of Veterans Affairs: the Department of Homeland Security, which has a workforce of 230,000 people.

This new system produces 50,000 reports a year—136 a day!—which of course means few ever get read. Those senior officials who have read them describe most as banal; one tells me, “Many could be produced in an hour using Google.” Fifty-one separate bureaucracies operating in 15 states track the flow of money to and from terrorist organizations, with little information-sharing.

Some 30,000 people are now employed exclusively to listen in on phone conversations and other communications in the United States. And yet no one in Army intelligence noticed that Maj. Nidal Malik Hasan had been making a series of strange threats at the Walter Reed Army Medical Center, where he trained. The father of the Nigerian “Christmas bomber” reported his son’s radicalism to the U.S. Embassy. But that message never made its way to the right people in this vast security apparatus. The plot was foiled only by the bomber’s own incompetence and some alert passengers.

Such mistakes might be excusable. But the rise of this national-security state has entailed a vast expansion in the government’s powers that now touches every aspect of American life, even when seemingly unrelated to terrorism. The most chilling aspect of Dave Eggers’s heartbreaking book, Zeitoun, is that the federal government’s fastest and most efficient response to Hurricane Katrina was the creation of a Guantánamo-like prison facility (in days!) in which 1,200 American citizens were summarily detained and denied any of their constitutional rights for months, a suspension of habeas corpus that reads like something out of a Kafka novel.

In the past, the U.S. government has built up for wars, assumed emergency authority, and sometimes abused that power, yet always demobilized after the war. But this is a war without end. When do we declare victory? When do the emergency powers cease?

Conservatives are worried about the growing power of the state. Surely this usurpation is more worrisome than a few federal stimulus programs. When James Madison pondered this issue, he came to a simple conclusion: “Of all the enemies to public liberty war is, perhaps, the most to be dreaded, because it comprises and develops the germs of every other … In war, too, the discretionary power of the executive is extended?.?.?.?and all the means of seducing the minds, are added to those of subduing the force, of the people.

“No nation could preserve its freedom in the midst of continual war,” Madison concluded.